Sábado, 30 de Maio de 2009

 

Sem me dizerem eu sei                                           

Nunca fui hoje não sou                        
Voltar a passar o que passei                    
Por esse caminho não vou                       
               
Não vou porque já de lá venho                  
Não quero voltar a tráz                        
O que eu disse mantenho                
Para mim já tanto faz                           

 

Pensei hoje falar de mim                                

Não achei apropriado                                                    
Vou continuar sempre assim                     
Vivendo o meu próprio fado                      

 

Quem nasce com fado triste
Pode ainda esperanças ter                      
Porque no fado existe
Coisas boas sem se ver

 

Ninguem foge nem que tente
Sem o seu fado viver
Livrar-se dele ninguem pense
Seu fado tem que sofrer

 

Não vejo no fado tristeza
Se o mesmo for bem cantado
Até a propria pobreza
Se senta com ele ao lado

 

Para mim o fado é irmão                               

De quem alegria não tem

Acompanha na solidão

E na alegria também

 

Bem aja quem assim pensa

E que ao fado se arrima

Dizem que logo à nascença

Vem escrita a nossa vida

 

Um dia este fado deixo

Para o além vou partir

O oculto enfrentar

Outro fado vou ouvir

 

 

António Assunção

 


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publicado por ala-goulinho-poemas às 10:11
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