Domingo, 01 de Janeiro de 2012

 

Desejoso de ti amor

Para mim tu és a loucura

Para mim és a flor

Que nasceu em terra dura

 

Sedento de ti amor

Com as minhas fantasias

Sonhava com teu calor

Pensava no que fazias

 

Pensando em ti meu amor

Sinto em mim grande emoção

Se te perco meu amor

Vai parar meu coração

 

Tenho fome meu amor

Teus lábios quero comer

Se não sinto o teu calor

Ó meu amor vou morrer

 

Meu amor por ti é chama

Que no meu coração arde

A verdade não engana

Dizer mentira é cobarde

 

Quando te digo adeus

É fogo chama que arde

Ao ouvir dos lábios teus

Meu amor não venhas tarde

 

Gostava de ter amor

Um mundo que fosse só nosso

Para viver Deus tu e eu

Mas meu amor eu não posso.

 

 

António Assunção

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por ala-goulinho-poemas às 13:21
Domingo, 15 de Maio de 2011

 

Gostavam os dois velhotes

De festas e arraial

Andavam sempre á porrada

Mas não levavam a mal

Ela tinha oitenta anos

Ele tinha oitenta e tal

 

 

A velha andava feliz

Um dia disse ao Manuel

Vai depressa alugar quarto

Naquele mesmo Hotel

Onde nós fomos gozar

A nossa lua de mel

 

 

A velha estava contente

O velho atento escuta

Que vamos fazer ao hotel

O mulher tu és maluca

Eu estou a ficar velho

E tu a ficares chalupa

 

 

Lá foram para o hotel

Para uma noite bem passada

Queremos boa caminha

Diz o Manuel á chegada

Uma sopa bem quentinha

E uma cerveja gelada

 

 

Foram os dois para a sala

Para comer a sopa quente

Ela esticou-se na mesa

Diz ao velho de repente

Anda dá cá um beijinho

Eu estou a ficar quente

 

 

O velho diz á mulher

Tu estás a ficar louca

O calor que estás sentindo

Tu tens as mamas na sopa

Vê lá se sabes guarda-las

Dentro dessa tua roupa

 

 

Os dois foram se deitar

Os dois foram para a caminha

O velho disse para a velha

A sopa estava quentinha

Oitenta anos que tens

Ainda és muito fofinha

 

 

E Logo pela manhã

Ouve grande discussão

Diz o Manuel para a mulher

Vieste sem um tostão

Vai para a cozinha lavar pratos

E não me digas que não.

 

 

António Assunção

 



publicado por ala-goulinho-poemas às 14:41
Sábado, 02 de Abril de 2011

É rapariga bonita

E ela quer aprender

O que outras da sua idade

Já estão fartas de fazer

  

Não sabe ler nem escrever 

Mas é de maior idade 

Ensina-la a escrever 

É obra de caridade

  

Coitada da rapariga 

Quer ter um professor 

Ela quer ser ensinada 

Com carinho e com amor

 

Um dia foi á cidade 

Já veio com companhia 

Que a ensinou a escrever 

Toda a noite e todo o dia

  

Ela Já tem diploma 

Quer continuar a aprender 

Ela diz para toda a gente 

O que eu quero é escrever

  

Ela diz a toda a gente 

È muito bom aprender 

O que eu quero nesta vida 

É estar sempre a escrever.

 

 

 

António Assunção

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por ala-goulinho-poemas às 18:49
Sábado, 12 de Fevereiro de 2011

Ó minha Aldeia das Dez

És a terra das flores

És terra de gente boa

De operários e doutores

 

Tens o São Bartolomeu

Paisagem de lindas cores

Santa Maria Madalena

E Nossa Senhora das Dores

 

És linda e namoradeira

E quem te vê fica louco

Estás a piscar os olhos

Ao rio Alva e Alvoco

 

Há várias aldeias na serra

Que tuas anexas são

São pobres estão sozinhas

Tens que lhe dar atenção

 

Está virada para o sol

Pensando no tempo que passa

O Inverno é rigoroso

Na aldeia da Gramaça

 

Chão Sobral para ti olha

Lá do seu lindo cantinho

Santo Antão está a pedir

Turismo no Colcurinho

 

Nossa Senhora das Preces

Maior Santuário da Beira

Conta a vida de Cristo

Lá no Vale de Maceira

 

Nesta serra do Açor

E num pequeno cantinho

Nasceu o Casal Cimeiro

Mais abaixo o Goulinho

 

È mesmo tua vizinha

Está mesmo á tua beira

Esta pequena Aldeia

Chamada Cimo da Ribeira

 

Só se vê quando se lá chega

Mas é um lindo lugar

Santo Amaro é o padroeiro

Desta terra o Avelar

 

Há também o Porto de Mós

E a Quinta das Tapadas

Ponte única no mundo

A Ponte das Três Entradas

 

Fica aqui retratada

Toda a minha Freguesia

É terra de gente boa

Adeus até qualquer dia

 



António Assunção

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por ala-goulinho-poemas às 16:12
Domingo, 30 de Janeiro de 2011

Estamos todos em fila

O presidente a chamar

É cumprir um dever cívico

O irmos todos votar

 

O simplex falhou

E chegou a enervar

A quem queria exercer

O direito de votar

 

Devemos todos votar

Gritam a uma só voz

Depois do voto contado

Já se não lembram de nós

 

Chegam ao parlamento

Inchados como pavões

Esquecem todas as promessas

São autênticos aldrabões

 

Fingem lá que estão zangados

Mas é pura ilusão

Cá fora quando se juntam

É uma grande união

 

Do povo já nem se lembram

Acreditem é verdade

Tudo o que disseram em campanha

Foi autentica falsidade

 

Eles dormem no parlamento

É o que vemos na TV

Outros até lêem o jornal

E sabem que o povo vê

 

Vejam os palavrões que eles usam

Lá no discurso em directo

Eles são todos doutores

Mas nenhum deles é correcto

 

O povo exige respeito

Ao votar em eleições

Gente séria no parlamento

Não queremos lá aldrabões

 

O povo vai estar atento

E grita a uma só voz

Gente honrada no parlamento

E mais respeito por nós

 

Duzentos no parlamento

São tantos e tão iguais

O Pais está como está

Mordomias são demais.

 

António Assunção

 

 

 



publicado por ala-goulinho-poemas às 14:15
Domingo, 23 de Janeiro de 2011

Era menina prendada

E tinha três namorados

Um deles era viúvo

Os outros eram casados

 

O povo muito dizia

O povo muito falava

Ela queria namorar

E não queria estar casada

 

Ela pensava num quarto

Até que um dia chegou

Homem velho com experiência

O quarto experimentou

 

Queria sempre a namorar

Mas sempre ás escondidas

Ela roubava os rapazes

A todas as raparigas

 

Os rapazes descobriram

E foi um de cada vez

Dizer á rapariga

Vou-me embora e é de vez

 

Eu só dispenso um

Eu quero os outros três

Namorar todos os dias

Mas só um de cada vez

 

Rapazes endiabrados

Partiram e foi de vez

Já tinha perdido um

Agora perdeu os três

 

Perdi os três, perdi os três

Gritava arrependida

Perdi os três, perdi os três

Não os vou ter mais na vida.

 

António Assunção



publicado por ala-goulinho-poemas às 17:33
Sábado, 15 de Janeiro de 2011

A noite tinha chegado

E com ela o nevoeiro

Os cães sempre a ladrar

Para os lados do Valeiro

 

Vim á porta observar

O que se estava a passar

Ouvi galinhas e galos

Estavam todos a gritar

 

Era grande o alvoroço

Eu fui de pé entre pé

Depois de ver o que era

Pensei fazer marcha à ré

 

Vim a casa num instante

E peguei na caçadeira

Para eu ir acabar

Com a raposa matreira

 

Ao chegar à capoeira

Eu fiquei aborrecido

Levou-me uma galinha

Raposa tinha fugido

 

Esperei na noite seguinte

Mais perto da capoeira

Esperando uma ladra

Que era a raposa matreira

 

Eu não sei se a guardei

Se ela me guardou a mim

A matreira não apareceu

E a noite acabou assim

 

Veio a noite seguinte

Eu vi chegar a matreira

Apontei a minha arma

E foi morta á primeira

 

Os dias que se seguiram

Nenhum dos cães mais ladrou

Houve paz na capoeira

E o sossego voltou

 

 

António Assunção

 

 



publicado por ala-goulinho-poemas às 16:58
Sábado, 25 de Dezembro de 2010

Foi nesta terra pequena

Foi aqui que eu nasci

Onde dei os primeiros passos

Foi aqui que eu cresci

 

Passei frio guardei gado

Rocei o mato nos montes

Recordo o meu passado

Bebendo água nas fontes

 

Pisei neve e a geada

Á escola fui aprender

A respeitar toda a gente

Fazer contas e saber ler

 

Aprendi não fui doutor

Nem sei se gostaria de ser

Há por ai muito doutor

Que nada parece saber

 

Semeei milho cavei terra

Ainda fiz outras culturas

Brincadeiras foram poucas

Fiz algumas diabruras

 

As dificuldades da vida

Levaram-me por bom caminho

Foi aqui que eu nasci

O meu lugar é o GOULINHO.

 

António Assunção

 

 



publicado por ala-goulinho-poemas às 19:15
Terça-feira, 14 de Setembro de 2010

Nasci em colchão de palha

Que outros colchões não havia

Vou vivendo como calha

Hora a hora dia a dia

 

Nasci sem razão de ser

Eu não pedi para nascer

Quero ter direito á vida

Deixem-me apenas viver

 

Num mundo apodrecido

É um salve-se quem puder

Um pai não educa um filho

E abandona uma mulher

 

Hoje sou homem, sou pai

Tenho o amor de uma mulher

O carinho dos meus filhos

Que mais é que um homem quer?

 

Hoje vejo os meus netos

E comparo o meu passado

Muito felizes eles são

Ao terem os pais ao lado

 

Tenho ou não categoria

Eu peço a Deus que me valha

Não me importo de morrer

No mesmo colchão de palha

 

António Assunção

 

 

 



publicado por ala-goulinho-poemas às 17:56
Terça-feira, 27 de Julho de 2010

Nossa fonte tão velhinha

Do tempo do meu avô

Encheu muita cantarinha

Em tempos que já passou

 

Sempre que o sol se escondia

Lá longe no horizonte

Era o terminar do dia

Toda a gente vinha á fonte

 

E nesta fonte velhinha

E neste local bonito

Vinham as moças á fonte

Falar com o namorico

 

E esta fonte bonita

Feita neste caminho

Deu de beber a muita gente

E ao povo do Goulinho

 

Um povo trabalhador

Suor a escorrer da fronte

Vinha aqui refrescar-se

Bebendo água da fonte

 

Por aqui neste caminho

Passou muito viajante

As mulheres do meu Goulinho

Lavavam a roupa no tanque

 

Davas tu fonte tão linda

Boas vindas a quem chegava

Eras a sala de visitas

Hoje estás abandonada

 

Ó fonte eras bonita

Naqueles tempos de outrora

Hoje estás esquecida

Como estás feia agora

 

Embelezar este local

Deve ser obrigação

Da Junta de Freguesia

E da nossa Associação

 

Fonte oferecida ao Goulinho

Por Agostinho Mendes Duarte

Construída por Manuel Lourenço Fernandes

Com muito saber e com arte

 

A fonte tem uma história

Nestes versos se contou

Aqui fica na memória

O que de ti alguém guardou

 

 

António Assunção

 



publicado por ala-goulinho-poemas às 21:19
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